segunda-feira, 7 de junho de 2010

Brasil busca o equilíbrio entre o real e o yuan

Moeda asiática está atrelada ao dólar para não perder a competitividade. AFP Photo/JC O Brasil pretende ampliar as relações comerciais com a China, mas com uma diversificação maior na pauta das exportações. "Atualmente, enviamos muitas commodities, mas poucos manufaturados", relata o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para que essa expansão nas negociações entre os dois países concretize-se, Mantega acredita que é necessário um maior equilíbrio entre os câmbios do yuan e o real...


Fonte: Jornal do Comércio
Ele explica que as moedas asiáticas são atreladas ao dólar, para que as nações desse continente não percam a competitividade, e acompanham quando ocorre a desvalorização do dinheiro norte-americano. O diretor-titular-adjunto da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ricardo Martins, concorda que uma das questões fundamentais para a indústria brasileira é equilibrar a balança cambial e gostaria que esse processo fosse agilizado. Ele lembra que o governo norte-americano também compartilha dessa meta. Os estudos feitos pela Fiesp apontam que o câmbio chinês está subvalorizado em torno de 40%.
Apesar da questão cambial, o vice-presidente da Federação Nacional da Indústria e Comércio da China e presidente da Federação das Indústrias de Xangai, Wang Xin Kui, ressalta que a China é o principal parceiro comercial do Brasil atualmente. Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento brasileiro, de janeiro a abril deste ano as exportações do País para a China foram de cerca de US$ 7,1 bilhões (FOB). A China obteve a maior participação nas exportações brasileiras (13,2%), à frente dos Estados Unidos (10,73%). Já nas importações essas ordens invertem-se, com os norte-americanos verificando em torno de US$ 7,6 bilhões (14,67% do total) e os chineses US$ 6,9 bilhões (13,25%). Kui também destaca que empresas brasileiras com a Vale e a Embraer têm investido na China.
O embaixador do Brasil em Pequim, Clodoaldo Hugueney, enfatiza que as relações diplomáticas entre as duas nações têm se intensificado nos últimos anos. "Desde 2000, a corrente comercial cresce 50% ao ano", aponta Hugueney. Outra iniciativa que será desenvolvida na China é aumentar a participação do Banco do Brasil no país através da abertura de uma agência do BB. Mantega consultará o governo chinês sobre o assunto e, em princípio, a tendência é de que o espaço seja instalado em Xangai.
No sentido inverso, uma oportunidade para os chineses no Brasil concentra-se no mercado de capitais. O presidente da Bovespa, Edemir Pinto, aponta que hoje existe solidez, transparência e segurança para atrair investidores estrangeiros. "Essa situação deve alavancar um novo período de desenvolvimento para o Brasil", prevê Pinto.
Mas, para o País ter uma maior relação comercial com a China, precisará se adaptar à competitividade dessa nação. O diretor do escritório de compras da Scania na Ásia, Renato Gamba, comenta essa característica. "Os chineses são governados por engenheiros, eles planejam e executam, já os brasileiros são por advogados que discutem o passado", brinca o dirigente. Gamba relata que a Scania adquire componentes, como peças usinadas, na China para enviar para suas linhas de montagem em outras localidades. Atualmente, o percentual de compras da companhia no país asiático é pequeno (cerca de 1% da sua demanda), entretanto, a tendência é de que esse número cresça no futuro. O ministro Mantega esteve nesta semana na China, participando de reuniões com o ministro de Finanças da China, Xie Xuren, e empresários onde prestigiou o Dia do Brasil na Expo Xangai 2010.

Ministro aponta condições para realização da reforma tributária

O ano eleitoral atrasou a concretização da reforma tributária, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos defensores da ideia, diz que o próximo governo terá condições de implementá-la. Ele sustenta que deve haver uma convergência das legislações e das alíquotas de ICMS.
Uma questão que deve se resolver antes disso é a superação da crise financeira internacional. Mantega afirma que a economia global está se recuperando e calcula que o PIB mundial deva crescer de 4,5% a 5% em 2010. No entanto, acrescenta que esse incremento será desigual nas diversas regiões do mundo.
O ministro argumenta que a Europa, que sofre dificuldades atualmente, deverá demorar mais na sua retomada. Já os Estados Unidos deverão crescer cerca de 3%, Rússia 4,5%, Índia 7% e China 10% neste ano. As projeções para o Brasil indicam algo entre 5,5% e 6%. Mantega salienta ainda que o crescimento brasileiro neste primeiro trimestre foi de patamares comparados aos dos chineses, de 8% a 10%. Porém, ele adianta que haverá uma desaceleração a partir do segundo trimestre. "Nós queremos um crescimento sustentável", defende o ministro.
Para auxiliar essa redução de marcha, o governo retirará estímulos que tem dado a alguns setores econômicos, como foi o caso da diminuição do IPI para os automóveis. Outra medida foi uma redução orçamentária da União na ordem de R$ 10 bilhões. Os resultados recentes do setor de automóveis provam que a desaceleração é real. Em março deste ano, as vendas de automóveis e comerciais leves foram de cerca de 305 mil unidades, contra 261 mil em abril e 235 mil em maio.
Mantega explica que esses ajustes precisam ser feitos para adequar a capacidade produtiva brasileira ao crescimento econômico. "Não podemos gerar inflação ou gargalos na infraestrutura", aponta. Mas, se os investimentos na produção aumentarem no futuro, os parâmetros de elevação da economia também deverão acompanhar essa tendência.

Grupo chinês Citic negocia Candiota 4 com a CGTEE

As obras da termelétrica a carvão Candiota 3 nem finalizaram ainda e o Citic (grupo chinês) e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) já negociam a realização da unidade 4. O vice-presidente da Citic Construction, Frank Ma Chuanfu, adianta que o possível empreendimento será do tamanho ou maior que Candiota 3 (projetada para uma capacidade de 350 MW - um pouco menos do que 10% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul).
Candiota 3 é um dos projetos integrantes do acordo internacional firmado entre a China e o Brasil. O grupo Citic é o responsável pelo projeto, suprimento e construção integral da obra. O investimento no complexo é estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão. Chuanfu relata que a usina será inaugurada até o final do ano, possivelmente com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Inicialmente, a conclusão do empreendimento era prevista para janeiro de 2010, mas problemas, como a adaptação dos chineses às legislações trabalhistas brasileiras, ocasionaram o atraso. Essa adequação poderá ser facilitada no futuro, já que, conforme Chuanfu, a própria China já avalia uma reforma trabalhista ajustando melhor as relações entre empregador e funcionário

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