quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Qualidade: Por que não a China?

O Editorial do site Intelog expressou um sentimento compartilhado por muitos: Porque a China é a fábrica do mundo se os produtos feitos por lá não têm qualidade? O Editor defende a idéia que os produtos chineses só estão disponíveis em todo o mundo por conta de seu custo baixo.


Honestamente eu discordo da opinião do editor. Acredito que a China caminha a passos largos à qualidade dos demais orientais. A estratégia de custo baixo (sustentada pela moeda artificialmente desvalorizada) teve seu primeiro momento na década de 90 que foi garantir os contratos de produção e os canais de distribuição ao redor do globo.

Nos últimos 10 anos, muitos concorrentes fecharam as portas, ao mesmo tempo m que as joint-ventures de empresas ocidentais e suas parceiras chinesas ganharam maturidade e transferiram muitas linhas de produção para o "Reino do meio". O resultado foi uma transferência de tecnologia e know-how sem precedentes e que passa a render frutos... de valor agregado cada vez mais alto. Eletrônicos, brinquedos, confecções e até mesmo bens de capital, como trens, navios, máquinas, altofornos são oferecidos por empresas chinesas em todos os níveis de qualidade: desde "world-class manufacturing" até o "low-end, low-cost".. e há clientes para todos eles!

Para mim, é nítido que os produtos chineses terão cada vez mais qualidade, não só pela maior exigência dos clientes externos mas também pelo crescimento de seu mercado consumidor interno. A inundação de produtos chineses se deve ao fato de que os concorrentes ocidentais não conseguiram se posicionar estrategicamente como ofertantes de produtos diferenciados na velocidade com que os concorrentes chineses invadiram seus mercados.
Mas há luz no fim do tunel: o desbalanço da moeda chinesa frente ao dólar e euro será um tema recorrente este ano, e tanto os EUA quanto a UE já flexionaram os músculos para pressionar a desvalorização do yuan. Queda de braço à vista...


Veja o editorial na íntegra clicando no título
Fonte:  Intelog






Por que não a China?




Editorial









 

Tic-Tic! Tic-Tic!
Sobre a mesa de trabalho, enquanto estas linhas são escritas, um pequeno relógio digital promete maravilhas. Conforme é colocado de lado ou de ponta-cabeça, deve informar temperatura Celsius ou Farenheit, funciona como cronômetro, indica hora, dia da semana e do mês, o ano e ainda tem um alarme, além de mostrador luminoso, usando duas pilhas. Patente chinesa pendente 200730131185.0. Foi comprado em viagem, numa pequena cidade do interior da Europa, por uns 4 euros, para suprir a falta momentânea de um despertador.
Seria uma pequena maravilha da tecnologia, se tivesse talvez origem suíça. Mas, feito na China, com a tecnologia chinesa, é apenas mais uma decepção. A qualquer hora do dia ou da noite, sem motivo aparente e sem que ninguém lhe encoste um dedo, tem um surto de loucura, dispara todos os alarmes, acende todas as luzes, altera as informações no mostrador como se o giroscópio interno estivesse numa montanha russa, mostra a hora de ponta-cabeça, e assim fica por algum tempo, até voltar ao normal. Para interromper o Tic-Tic!, nem adianta sacudir o aparelho, só mesmo retirando as pilhas...
Quando, 50 anos atrás, os japoneses resolveram primeiro copiar e depois aperfeiçoar os eletrônicos ocidentais, colocaram a qualidade como ponto fundamental, e foi essa qualidade que tornou os japoneses imbatíveis por várias décadas. Mas, quando a China resolveu seguir essa trilha, não teve a mesma preocupação, imaginando que bastaria inundar o mundo de produtos baratos, para conquistar todos os mercados. Até conseguiu fechar as portas de muitas indústrias decentes em diversos países, a exemplo de várias tecelagens brasileiras. Como competir com uma camisa chinesa vendida na esquina de casa por preço menor do que o pano em que foi feita? Ou com um contêiner vendido por valor menor que o do aço nele empregado?
Bem, se a China consegue movimentar legiões de trabalhadores a preço de nada, não o consegue fazer com qualidade. Suas minas de carvão desmoronam a cada dia. Seus eletrônicos são como o relógio citado, uma "bomba". E quem experimentou um guarda-chuva chinês sabe que sua armação não resiste ao primeiro chuvisco.
Falta qualidade. Controle de falhas. Descarte dos lotes inapropriados. Aperfeiçoamento do processo produtivo. Uso de materiais adequados. E o principal: preocupação com o consumidor. Se num país tão rigidamente controlado pode-se impor qualquer coisa à população, não esperem as lideranças chinesas que o resto do mundo aceitará por muito tempo o "Made in China" como sinônimo de produto que não passa em nenhum teste de qualidade.
Bem o sabem as autoridades chinesas, que já disseram – anos atrás – ter a intenção de mudar esse quadro, oferecendo ao mundo produtos melhores, fabricados em indústrias melhor aparelhadas. Só que reputação não é algo que se conquista com palavras apenas, e enquanto houver no mundo um despertador destrambelhado, um guarda-chuva com varetas de metal mais fino que papel, brinquedos tóxicos e outras maravilhas da inépcia industrial, estará presente a associação do país com produtos imprestáveis. Por mais que melhore a qualidade geral, a campainha soará na mente do consumidor, a cada problema surgido. Como aliás acontece com a japonesa Toyota e seus "recalls" de carros, e com outras marcas que perdem a confiança que já haviam conquistado, por desleixarem na manutenção da qualidade de seus produtos.
Assim, talvez a China até se imponha como a grande superpotência do mundo nos próximos dez anos. Mas, cada vez mais, os mesmos navios que trazem seus produtos ao ocidente terão de retornar com as cargas rejeitadas aos portos de origem, pois a paciência do consumidor tem limite, e os chineses não devem esperar muita benevolência de um mundo que nem aprecia suas posições quanto aos direitos humanos e trabalhistas. Ou o governo chinês faz uma revisão geral em seus métodos, ou o que hoje lhe parece apenas um empecilho logo se tornará um obstáculo muito sério nas suas pretensões de crescimento.
Tic-Tic! Tic-Tic!
Por enquanto, é apenas uma bomba de relógio, alertando o consumidor para a qualidade dos produtos chineses. Por enquanto...
Por Porto Gente

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