Sob os efeitos da ressaca das vendas, depois da retirada do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido, as fabricantes de veículos registraram queda de 9,7% na comercialização em maio na comparação com o volume registrado em abril, de acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores)...Fonte: Diário do Grande ABC
Com o total de 250.984 unidades vendidas no mês passado, frente às 277.833 de abril, a retração era esperada, já que em abril grande parte das concessionárias ainda contava, principalmente na primeira quinzena, com volume alto de estoques de carros faturados antes do fim do incentivo - que vigorou até 31 de março.
"Foi uma ressaca natural, um pouquinho maior do que os analistas esperavam mas acontece quando você bebe muito", brincou o presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardila. Ele se referia aos números recordes de março (353 mil unidades), em que houve antecipação de compras, por parte do consumidor, por causa da perspectiva de aumento de preços sem o desconto do tributo.
O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, também considerou normal a retração do mercado. Apesar da queda, ele tem expectativa de que o setor feche o ano com total de 3,4 milhões de unidades vendidas, crescimento de 7% em relação a 2009. A projeção é a mesma feita pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)
Por sua vez, Ardila faz previsão um pouco mais modesta, de 3,3 milhões para o encerramento de 2010.
EM ALTA - Apesar do desempenho mais modesto na comparação com abril, o setor automobilístico alcançou volume histórico de vendas para o mês de maio - em que o segmento registrou alta de 1,64% frente ao mesmo mês de 2009 - e também nos primeiros cinco meses deste ano.
De acordo com os dados da Fenabrave, foram 1,316 milhão de unidades comercializadas de janeiro a maio, 14,6% mais que nos cinco iniciais de 2009 (1,149 milhão) e 14,3% acima da marca recorde anterior, de 2008 (1,15 milhão).
Aumento no custo do aço será repassado
Executivos das montadoras preveem que o preço dos carros deve subir devido à elevação no custo do aço, por causa da majoração no minério de ferro. "É impossível absorver, quem pagará isso serão os clientes. Tentamos compensar com aumento de produtividade e com o uso de outros materiais, mas o fato é que o carro tem aço", disse o presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila.
O executivo estima que, até agora, já houve reajustes de 20% a 30% na matéria-prima na cadeia produtiva do setor.
O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, não faz estimativa em relação ao percentual de aumento nesse insumo, mas também avalia que os efeitos serão sentidos pelo consumidor. Ele ressalta que a empresa busca alternativas para manter a competitividade no Brasil e tem elevado o percentual de aço importado. No ano passado, girava em 10% a 12% do total adquirido e hoje ultrapassa 20%. Ele considera ainda que a alta nos custos não chega a ser surpresa. "A demanda da China (por minério) está grande", observa.
AUTOPEÇAS - Outro item que, para as montadoras, pode significar elevação de custos é a retirada - pleiteada pelos fabricantes de componentes automotivos - do desconto de 40% no imposto de importação de autopeças concedido a montadoras e sistemistas.
O governo se comprometeu a aceitar a reivindicação da indústria de peças, mas a medida ainda não foi publicada. Segundo o ministro Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os sistemistas querem escalonar a eliminação do incentivo. "A ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) prepara pesquisa sobre o setor. Vamos sentar com todos os envolvidos", disse.
Nenhum comentário para “Venda de carros novos cai 9,7% em maio, diz pesquisa”
Leave a reply