O presidente reeleito da Associação Brasileira da Indústria Elétrica Eletrônica, Humberto Barbato, cobrou um posicionamento dos presidenciáveis e dos atuais ministros do governo Lula com relação à desindustrialização do país. Segundo ele, com a atual taxa de câmbio - sobrevalorização do Real - não há competitividade que resista...Fonte: Convergência Digital
"Temos que ter responsabilidade com quem investe no Brasil", desabafou Barbato, em coletiva de imprensa, realizada nesta segunda-feira, 31/05, na capital paulista, para marcar os próximos três anos do seu mandato à frente da Abinee. Barbato não poupou críticas às ações internacionais do governo Lula.
"Há uma leniência do Itamaraty com relação aos nossos vizinhos Argentina, Paraguai e Bolívia. Nós temos que ter paciência enquanto eles inventam uma série de medidas para não comprar da indústria brasileira".
No radar do presidente da Abinee também estão os chineses. "O governo quer atrair empresas chinesas para o Brasil. Até aí nada demais. Tá certo. Mas que eles venham, montem sede de verdade, empreguem de verdade e paguem imposto de verdade, como tantas outras fazem. As fronteiras de negócio devem ser preservadas e respeitadas".
Para marcar posição contra a desindustrialização do setor eletroeletrônico - as importações de produto acabado só fazem crescer - em dólares houve no primeiro trimestre um incremento de 45%, em relação ao mesmo período em 2009 e o déficit dos produtos chegou a US$ 5,82 bilhões, um crescimento de 66% em relação ao ano passado - a Abinee finaliza um documento que será entregue aos presidenciáveis e às autoridades do governo Lula neste final de mandato, com ações para serem implementadas no setor eletroeletrônico.
"Participei do debate dos presidenciáveis na CNI, realizado na semana passada, e senti falta do tema desindustrialização. Com a atual taxa de câmbio - sobrevalorização do Real - o país só perde competitividade. O mercado interno está segurando a demanda, mas até quando?", indagou Barbato.
Uma das ações práticas da Abinee com relação ao fim de mandato do Governo Lula é trabalhar para que a MP 472, a ser regulamentada, não altere qualquer benefício da Lei de Informática. "Estamos trabalhando muito para garantir que quem investiu no Brasil, tenha seus direitos preservados e possam competir em igualdade de condições com quem vier", assegura Barbato.
Ana Paula Lobo
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