Grandes empreendimentos esperados para os próximos anos no Ceará, como refinaria e siderúrgica, por exemplo, tendem a aquecer setores estratégicos do Estado. Esses grandes equipamentos, segundo Airton Saboya, gerente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vão trazer oportunidades para o Ceará não só para a indústria, mas para o setor de serviços também. "Vão crescer os segmentos que vão fornecer máquinas, equipamentos e serviços"... Fonte: O Povo
A refinaria, por exemplo, acrescenta Airton, demanda de uma série de serviços do setor industrial. "Indústria metal-mecânica, de pintura, de solda, de caldeiras; setor eletroeletrônico, hidráulico-industrial; projetos de engenharia, construção e montagem, refrigeração, informática; vestuário especial com proteção contra o fogo... Tudo para manter uma refinaria", explica.
Airton acrescenta que o empreendimento abre a possibilidade de o Estado produzir esses bens para o fim específico, com mercado garantido. No entanto, ele alerta que grande parte dessas indústrias fornecedoras para esses equipamentos, estão instaladas no Sudeste do País. "À medida que a Petrobras e o Governo resolvem instalar refinarias no Nordeste, abrem a possibilidade de esses estados também passarem a ser fornecedores desses equipamentos".
Cadeia produtiva
Se o Ceará está preparado para receber esses empreendimentos? Airton Saboya acredita que sim. "Mas para que a gente possa tirar mais proveito, precisamos ter esses programas de capacitação das empresas, para que possam se tornar fornecedoras dessa grande área industrial prevista".
O gerente da Etene explica que, para isso, as empresas aqui instaladas precisarão preencher os mínimos pré-requisitos para se tornarem fornecedoras da Petrobras. E não correr o risco de assistir de camarote os lucros das empresas de fora. "Governo do estado e entidades ligadas à indústria poderiam se juntar e oferecer a capacitação", disse ele, avaliando que, embora no mesmo patamar de Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte, as empresas do Ceará ainda estão bem atrás das do Sudeste.
Se isso acontecer, tanto as empresas vão lucrar, segundo ele, como os empregados, mais capacitados, poderão ter remuneração "relativamente elevada" e vão demandar uma série de serviços, como escolas, alimentos, entre outros. "É um círculo virtuoso. À medida que as empresas forem se capacitando, vão demandar bens e serviços para a nossa economia. Vai fomentar a indústria e, consequentemente, os serviços".
Todo o esforço para atrair grandes projetos, segundo ele, deve abrir novos horizontes para os próximos dez anos, aliando-se a isso toda a infraestrutura prometida para Fortaleza com a Copa do Mundo de 2014. "Deve haver aí um incremento da renda per capita e dos indicadores sociais".
Sem números
A economista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Eloisa Bezerra, disse que ainda não se pode medir os impactos desses projetos em números ou estatísticas. "Mas com certeza, se fizermos o dever de casa, ou seja, a preparação básica necessária para a implantação desses projetos estruturantes, haverá mais resultados positivos".
(Giselle Dutra - giselledu tra@opovo.com.br).
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